O perigo relacionado à venda de medicamentos em supermercados volta a
rondar a população brasileira. O Plenário do Senado acaba de aprovar o
Projeto de Lei de conversão 7/2012, decorrente da Medida Provisória (MP)
549/2011, facultando a comercialização de MIPs (Medicamentos Isentos de
Prescrição), em supermercados, armazéns, empórios e lojas de
conveniência. “Estamos perplexos, diante de um retrocesso tão grande
que, certamente, colocará em risco a saúde dos brasileiros”, declarou o
Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João. A
sua esperança está no veto presidencial. “Acreditamos no bom senso da
Presidenta Dilma Rousseff”, declarou.
A MP 549/11 isenta do pagamento do PIS/Pasep e Cofins 22 produtos
destinados a pessoas com deficiência. Quando esteve, na Câmara, a MP
ganhou um dispositivo do Deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), autorizando a
venda de medicamentos fora das farmácias e drogarias. Naquela Casa
legislativa, o texto de Mabel foi rejeitado por 246 votos a 81 e duas
abstenções.
No Senado, onde foi votada e aprovada, hoje (25.04.12), às 17h53, a
matéria levou a denominação de MP 549-B. A decisão dos senadores, de
acordo com o Presidente do CFF, é “perniciosa”. Segundo ele, medicamento
não é uma mercadoria qualquer que possa ser oferecida ao público, sem
nenhum controle sanitário. “A decisão do Senado é uma indução à
automedicação e ao uso irracional desses produtos”, alertou Walter
Jorge.
Mas ponderou que os Senadores podem não ter sido bem orientados, ou
não tiveram tempo para conhecer a matéria em sua inteireza, vez que a
Medida Provisória traz como foco a isenção da carga tributária para
produtos dirigidos a pessoas com deficiência, o que, de fato, tem um
grande alcance social. “O problema é que, no meio da MP, foi incluída a
venda de medicamentos em supermercados, o que eu inclusive considero um
aditivo fora de contexto e que, certamente, não foi observado pelos
Senadores”, previu Walter Jorge.
A preocupação do Conselho Federal de Farmácia é quanto aos perigos a
que será exposta a população. Dr. Walter Jorge observa que o brasileiro
já figura entre os povos que mais se automedicam, situação que gera um
alto número de intoxicações medicamentosas.
Vender medicamentos isentos de prescrição, em estabelecimentos não
identificados com a saúde, fora do controle sanitário e na ausência do
farmacêutico, responsável pela orientação sobre o uso correto desses
produtos, segundo o dirigente do CFF, só tem uma explicação: atender ao
interesse econômico.
Walter Jorge lembra que, há mais de 20 anos, o setor supermercadista
vem pressionando o Legislativo e o Governo, com vistas a obter
autorização para comercializar medicamentos, com vistas a aumentar a sua
margem de lucro. “Será uma farra do interesse em cima da saúde do povo
brasileiro, que passará a comprar medicamento a rodo, motivado por
campanhas publicitárias do tipo leve três e pague dois. Mas temos uma
grande esperança em que a Presidente Dilma Rousseff vete essa aberração,
sob pena de o Governo perder o controle no setor de saúde”, advertiu o
Presidente do CFF.
Outra advertência de Dr. Walter Jorge dirigida à população é quanto
ao “mito” de que medicamentos isentos de prescrição não fazem muito mal.
Ele declara: “Não há um único medicamento que não possa provocar reação
adversa, em maior ou menor grau.
O Presidente do CFF lembrou, ainda, que o País está discutindo a
logística reversa cujo objetivo é descartar corretamente os
medicamentos. É uma ação na qual as farmácias têm um papel
preponderante, vez que o descarte seria feito pelos usuários dos
produtos, nos estabelecimentos farmacêuticos que, por sua vez,
promoveriam a destinação final. “Agora, imagine o leitor se uma
mercearia vai promover o descarte correto de medicamentos”, ironizou.
Dr. Walter Jorge adiantou que irá procurar as autoridades sanitárias e
as lideranças farmacêuticas, com vistas a desencadear medidas urgentes
que levem ao veto presidencial. “Todas as autoridades sanitárias,
profissionais da saúde e sociedade estarão unidos em favor do veto
presidencial, porque o maior interesse a se defender é o da preservação
da saúde da população”, previu o Presidente do CFF.
Fonte: CFF
Nenhum comentário:
Postar um comentário